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COLIN ESCAMOSO

imagem retirada da web

Curiosamente, codornas (ou codornizes como são chamadas em Portugal) e perdizes, são ilustres desconhecidas da avicultura ibérica e sul americana, embora sejam bem conhecidas em criadouros como os da restante Europa e América do Norte.
De modo algum pretendo falar que não exista muita gente criando codornas e perdizes em grande escala, e de todos os tipos, com baixíssima mortalidade, tanto aqui em terras brasileiras (ainda semana passada me propuseram comprar 6 casais anilhados de Perdiz Vermelha Alectoris rufa), como em Portugal ou Espanha, inclusive aves como a Perdiz Rouloul Rollulus rouloul, ou a Codorna da Montanha Oreortyx pictus, o problema é que conseguir fazer eclodir crias em chocadeira, e criar seus pintos, não significa um real entendimento das espécies.

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Codorna da Califórnia

Em quase todas as espécies de aves, o problema não é fazer o macho galar a fêmea e fazer esta botar ovos, o problema está em fazer esta chocar eles e o casal alimentar os filhotes, coisa que só acontece quando existe um real entendimento sobre as necessidades da espécie, por parte do criador.
Como faisanídeos e anatídeos já nascem independentes, necessitando apenas de aquecimento, a maioria dos criadores destes se limita a recolher os ovos e colocar eles para chocar em uma chocadeira.
Isso não representa um real entendimento da espécie, e nem um sucesso reprodutivo.

Só quando as necessidades de um casal de codornas ou perdizes são supridas, é que estas se encarregarão de chocar seus ovos e criar suas crias. Levar esse processo adiante é sem dúvida um sucesso para o Avicultor, apesar de não ser depreciativo para nossa atividade reproduzir nossas aves de chão recorrendo a chocadeiras ou garnizés, já que assim as matrizes botarão mais ovos, teremos mais crias, e consequentemente, mais exemplares para venda. Ainda assim, mesmo recorrendo a esse método artificial, podemos suprir de igual forma as necessidades de nossas codornas e perdizes, em nosso plantel.

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Codorna Japonesa

Antes de começarmos, é importante definir termos, e o que posso falar é que eles pouco importam, já que o termo Codorna ou Codorniz, e Perdiz, não definem espécies, mas sim mais propriamente fisionomias semelhantes, de aves algumas vezes pouco aparentadas. Diga-se que geralmente as aves designadas como codornas ou codornizes são aquelas não voadoras e de porte rasteiro, ao contrário das de porte mais elegante e voadoras, as quais são geralmente chamadas de perdizes, o que encontra exceções, como por exemplo no Brasil, onde chamamos a Lophortyx californica de Codorna da Califórnia, ou no exemplo de Portugal, onde a Callipepla squamata é chamada de Colín Escamoso. Enfim, a conclusão é que são apenas nomes, chamemos a elas aquilo que quisermos, embora seja conveniente chegar a um consenso, para facilitar a comunicação e a compra e venda de espécimes.

Todas as codornas e perdizes são aves polígamas, um macho mantém e acasala com um grupo de várias fêmeas. Em cativeiro eu recomendo no mínimo 2 fêmeas para cada macho, e no máximo 5. Dada a fogosidade reprodutiva do macho, uma só fêmea poderá acabar morta.
Se deixarmos que choquem suas crias, o grupo criará todas as crias juntas sem problema.

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Codorna Arlequim

Quanto ao espaço, este deve ser amplo, para que caminhem livremente, e no caso das chamadas perdizes, deve ser alto, com 1 ou 2 poleiros, visto serem aves voadoras, que dormem nos poleiros. A sobrelotação das instalações, mesmo contendo apenas um macho, leva a brigas entre as fêmeas, e leva o grupo a a atacar as crias. Já em espaços amplos, pode ser mantido mais de um grupo.

A exemplo, um pequeno viveiro de 90 cm de com, 55 cm de larg e 50 cm de altura, pode abrigar perfeitamente 1 macho e 3 fêmeas de Codornas Chinesas, com respetivas crias, que devem ser separadas quando já estiverem bem desenvolvidas, para evitar ataques.
Esse mesmo viveiro serviria para um trio de Codornas Japonesas e suas crias.

Já para manter um trio de Perdizes da Califórnia, e reproduzi-las, será necessário um espaço de cerca de 1,5 m de comp, 90 cm de larg e 1 m de altura, com um poleiro posicionado alto.
Desse modo, o leitor já pode construir um esboço mental do espaço necessário para cada espécie, mesmo que pretenda usar o sistema de chocadeira. Lembrando que o chão de rede é desaconselhável, por ser incômodo para aves que vivem no chão, e que também o viveiro deve conter pontos específicos com feno, já que as aves apreciam se esconder e ciscar nele.
Gaiolas de criação industrial de codornas estão obviamente fora de questão.

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Cria de Perdiz Vermelha

Um mito bastante comum, é a de que codornas e perdizes são ótimas limpadoras de restos para viveiros com pequenas aves, nada mais errado, e os testemunhos estão por aí em grande quantidade para comprovar isso.

As codornas e perdizes são extremamente territoriais e agressivas, atacando toda ave que pousar o chão, inclusive matando facilmente pequenas aves exóticas, e claro, comendo qualquer cria que caia do ninho, ou que esteja dando seus primeiros vôos. Além disso, as chamadas perdizes, por serem voadoras, perturbam todo o viveiro com seus vôos, e ainda comem crias e ovos de dentro dos ninhos.
Elas se tornam no entanto vítimas, quando misturadas com aves de chão maiores, como faisões, ou com psitacídeos, inclusive pequenos como os piriquitos australianos, pelo que isso também é desaconselhável.
Mesmo em espaços amplos, também espécies de codornas ou perdizes de tamanhos diferentes não devem ser misturadas, e a dócil Codorna Japonesa, mesmo que de porte considerável, é atacada por outras espécies do mesmo tamanho, embora por sua vez também ataque as espécies menores.

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Perdiz Rouloul

Uma alternativa para colocar elas como limpadoras do fundo dos viveiros, é separar com rede a parte de baixo do viveiro, deixando um espaço de cerca de 55 cm de altura, onde viverão as codornas, separadas do resto das aves, o que serve bem para as codornas não voadoras, mas é insuficiente para as perdizes.

A alimentação é simples, e não pode ser feita apenas de restos. Embora existam rações extrusadas para codornas, uma ração granulada para pintos, ou em farelo ou pó, de boa qualidade, é adequada. Complementando essa dieta, devem ser fornecidas frutas e vegetais, aém de ervas do campo, diariamente, uma boa papa de ovo, ou ovo cozido esmagado com casca misturado com espigas de milho verde, além do grit.
Não se banham, ao contrário da maioria das aves, preferindo tomar banhos de areia, pelo que devem ter areia à disposição sempre.

A incubação também não é difícil, desde que tenham vegetação, e sossego. São aves selvagens, mesmo as criadas em chocadeira, que facilmente abandonam o choco, e esmagam crias, pelo comportamento nervoso, inclusive na natureza. Uma boa sugestão será distribuir vasos de plantas deitados, nos cantos do viveiro, cobertos com ramadas de plantas ou capim.
Se é fato que aves acostumadas com sistemas de criação intensiva podem demorar um pouco mais para criarem sua prole sozinhas em comparação com aves que já foram criadas pelos próprios pais, nada que sossego e um ambiente correto não resolvam. Sendo que o fornecimento de alimento vivo resulta num estímulo valioso para desencadear o processo natural.

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Vaso usado como ninho

Geralmente botam entre 7 e 13 ovos, com 100% de nascimentos, sem mortes de crias nas chocadeiras, e com 1 ou 2 se criadas pela fêmea, embora esta última não seja uma regra. Sendo que as mortes sempre se dão por fêmeas pisoteando crias, em momentos de nervosismo, ou por seu próprio comportamento nervoso.
A incubação por parte de galinhas pequenas é bem sucedida, à exceção do caso da Codorna Chinesa, que bota ovos demasiado pequenos, no entanto, as crias das espécies mais pequenas como as da Codorna Japonesa Coturnix japonica e da Codorna Arlequim Coturnix delegorguei não devem ser deixadas com a galinha após o nascimento, já que facilmente são esmagadas por esta. É adequado transferir elas para ambiente aquecido.

São aves rústicas, robustas, mas extremamente sensíveis ao stress, e às complicações gastrointestinais resultantes deste, que culminam em coccidiose, o vulgo Peito Seco ou Doença da Faca. Precisam de sossego.

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C. Chinesa fêmea mutação cara azul de duplo fator

Explorar esse ramo desconhecido da Avicultura pode ser muito prazeroso e interessante, as espécies são muito variadas, cada uma é um mundo diferente a ser descoberto, e onde o pioneirismo se faz muito necessário e encontra espaço, já que apenas, pelo que sei, 3 espécies possuem mutações bem definidas e amplamente reproduzidas, nomeadamente a Codorna Japonesa, a Codorna Bobwhite e a Codorna Chinesa.
O anilhamento dessas aves, e a participação em campeonatos ornitológicos com as mesmas, deve ser incentivado, embora a competitividade seja ainda pouca. Me recordo das últimas exposições em que participei em terras ibéricas, no final do ano de 2008, e onde levei algumas espécies de codornas e perdizes para serem julgadas, e, salvo no caso das Codornas Chinesas, não encontrei concorrência alguma, cenário esse que mudará se mais criadores começarem a expor.

Além disso, têem elevada procura, bom preço para ambas as partes, podem ser produzidas em grande escala, sendo portanto, muito rentáveis.

Forte abraço e boas criações,
Criadouro Guadiana
Brasil

*todas as imagens foram obtidas no motor de busca do google

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33 thoughts on “Criação: Codornas e Perdizes

  1. Estou procurando filhotes de perdizes e codornas e ovos.Entre em contato pelo numero (38) 9962-4450

    • BOM DIA AMIGO NAO SOU O DONO DAS AVES TAMBEM ESTOU O PROCURA PARA COMPRAR OVOS OK R.M. TECNOLOGIA INDUSTRIAL Antonio Carlos (19) 3456-0484 Iracemápolis – SP 

  2. Boa noite, sou do sul de SC gostaria de saber valor de um casal de perdiz, e se caso vender ovos galados eu compro tambem, gostaria de saber os valores, no caso dos ovos posso pegar pessoalmente dependendo da regiao do RS. Obrigado.

  3. Boa tarde!
    Gostaria de saber onde fica o criatório.
    Moro na Bahia e gostaria de comprar codornões e perdizes (casais). Se possível, também ovos galados. Eles chocam em galinha comum ou garnizé? Meu tel é (71) 8265-2288

    • BOA TARDE O CRIATORIO NAO E MEU EU TAMBEM ESTOU PROCURANDO PARA COMPRAR SE VC SOUBER QUEM VENDE POR FAVOR ME COMUNIQUE OK R.M. TECNOLOGIA INDUSTRIAL Antonio Carlos (19) 3456-0484 Iracemápolis – SP 

  4. Oi comprei quatro codornas final de maio e até agora não ponharam não sei como saber se tenho só machos ou só fêmeas como posso distinguir.? na agropecuária onde comprei disseram q só existe codorna fêmea.

  5. Olá, gostaria de comprar ovos galados de codorna arlequim, pode mandar por sedex para o RJ? quanto custa a dúzia? aguardo resposta.

    • BOA TARDE AMIGO EU NAO SOU CRIADOR DE CODORNA OK EU ESTOU PROCURANDO A PERDIZ OU OUTROS TIPOS DE CODORNAS PARA COMPRAR OK SE VC SOUBER ME COMUNIQUE OK R.M. TECNOLOGIA INDUSTRIAL Antonio Carlos (19) 3456-0484 Iracemápolis – SP 

      • boa tarde sou de piracicaba tenho 2 femea e um macho pra vender tel 019 34115230

      • BOATARDE QUAIS AS AVES QUE VC TEM PARA VENDER .SOU DE LIMEIRA 19-34560484   997262251 R.M. TECNOLOGIA INDUSTRIAL Antonio Carlos (19) 3456-0484 Iracemápolis – SP 

    • Ola! eu Tbm procuro por perdizes brasileiras ou perdigão como conhecido no sul do Brasil, se souberem me avisem por favor ok forte abraco e sucesso com as
      criacoes!

  6. Olá, gostaria de saber se consigo comprar um casal de codorna chinesa com voce ou se voce teria alguem pra me indicar aqui no RJ.
    Abraços

  7. ola boa noite gostaria de saber a disponibilidade eo valor de um casal de perdiz da california para o cep 98290000 desde ja agradeço.

    • oi fabrizio,

      sim, entrego em nh, e dependendo do valor, também em toda serra.

      codornas japonesas, de fenotipo selvagem e arlequins, 6 reais cada.

      outras mutações também sao conseguiveis, mas sao consideravelmente mais caras.

      abraço

  8. quero adquirir um trio ou casal de perdir da california, qual valor com o frete para brasilia 72156-101 ?
    desde já agradeço

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